Antes de falarmos sobre a criação de uma “marca com valores de transformação” é preciso deixar claro qual a papel do design dentro desta sociedade de consumo e como podemos criar e, principalmente, comunicar os valores de uma marca a partir desta perspectiva.

Primeiramente precisamos romper com a ideia de que design significa desenho ou arte. A palavra em inglês descende do latim designare que consiste em “dar sentido (a algo)”. Os alemães, pais do design contemporâneo, o chamam de Gestaltung que poderíamos traduzir livremente como “a prática da gestalt”. E a gestalt, também conhecida como “psicologia da forma”, é a maneira como enxergamos e interpretamos (damos sentido/significado) às formas ao nosso redor. Em resumo, o design (verbo) é a técnica de criar/projetar significado às coisas e o design (substantivo) é o produto oriundo deste projeto, seja ele o que for, não havendo aqui limitação de suporte ou forma.

Precisamos romper com a ideia de que design significa desenho ou arte.

Marca é um produto direto de um projeto de design – com licença para a redundância –, que pode representar uma instituição, empresa ou produto. A marca não é apenas um logotipo ou um cartão de visitas, mas também pode incorporar um logotipo ou um cartão de visitas. Ela é a personificação da sua empresa e leva consigo todos os ideais, valores e virtudes que se quer agregar no mercado.

Porém uma marca não funciona sozinha, ou seja, sem um bom produto a quem represente. Os valores podem estar muito bem elaborados, todos os post-its do seu business canvaspodem estar muito bem colados, mas se seu produto ou empresa não imprimem com sinceridade os seus ideais propostos à sociedade e todo seu planejamento de valores não passa de uma estratégia de marketing, prepare-se para pagar caro pela falta de compromisso com a verdade.

Seja um bolinho, um bar ou oferencendo um serviço, os valores de transformação da empresa ou startup precisam vir de dentro do coração dos empreendedores e não inventados ou maquiados para não correrem o risco de serem pegos em flagrante delito. Enfim, aqui gostaria de entrar em outra parte que considero bastante importante: a criação de valores de transformação. Mas que tipo de transformação?
Nós, empreendedores, temos o poder em nossas mãos de promover transformação, seja ela no sentido social, ambiental, econômico e, porquê não, político. Pequenos gestos ou atitudes, alinhados com nossos ideais tem potencial transformador e precisamos ser nós os protagonistas das mudanças que queremos ver ao nosso redor. Clichê, mas verdade.

Uma loja de doces que se propõe a recolher e encaminhar para reciclagem as embalagens de plástico que consome ou outra de camisetas que faz a doação de seus produtos aos mais necessitados na exata proporção em que são vendidos. Dois exemplos de ideias simples que contribuem com transformação ambiental e social, respectivamente, e que podem ser aplicados à maioria dos negócios. Basta querer fazer. São marcas se relacionando com o meio de maneira mais humanizada, onde o lucro existe como consequência e não como único propósito.

Acredito que podemos mudar o mundo com pequenas atitudes que contribuam com a sociedade e com a realização do nosso propósito. Outro exemplo simples e que qualquer um pode adotar é trocar o material em que é impresso seu cartão de visitas. Substitui recentemente o meu feito com o velho papel couché com laminação fosca por um em papel semente e impresso com um código de barras. Quem o receber pode escanear o código com seu celular e guardar meus contatos diretamente na sua agenda, em seguida pode rasgar o cartãozinho, jogar na terra, regar e esperar florescer.

Pessoalmente tenho como propósito de contribuir, com a ajuda do design, com empreendedores que buscam construir marcas com valores de transformação. Se você é um desses, vamos juntos começar essa revolução.

*Foto: Picjumbo